Como precificar produtos em loja de ferragens

Entenda como precificar produtos em loja de ferragens e ferramentas considerando custo real, margem, estoque, descontos, Curva ABC e apoio de um ERP.
Gestor analisando preços, margens e estoque em uma loja de ferragens e ferramentas
Gestão para lojas de ferragens e ferramentas

Como precificar produtos em loja de ferragens e ferramentas

Precificar produtos em loja de ferragens e ferramentas parece uma tarefa simples. Compra por tanto, coloca uma margem em cima, vende e segue o baile. Só que, na prática, não é bem assim. Se fosse, muita loja que vende bem não terminaria o mês se perguntando onde foi parar o dinheiro.

Esse é um ponto que vejo com frequência no varejo. A loja tem movimento, o balcão não para, o cliente entra, compra, pede desconto, volta outro dia. Tudo parece funcionando. Mas quando o gestor olha para o caixa, a margem não aparece. E aí começa aquela sensação ruim: “vendemos bastante, mas sobrou pouco”.

Por isso, falar sobre como precificar produtos em loja de ferragens não é falar apenas de preço. É falar de sobrevivência, margem, estoque, compra, desconto, caixa e controle. É gestão pura. Daquelas que não aparecem na vitrine, mas sustentam a empresa.

Por Paulo Paganelli, CEO da CB Sistemas

Preço errado não grita. Ele sangra devagar.

O problema do preço errado é que ele raramente aparece de uma vez. Ele vai tirando margem aos poucos.

Um desconto pequeno aqui. Um frete que ninguém rateou ali. Um produto comprado mais caro e vendido pelo preço antigo. Uma taxa de cartão esquecida. Uma comissão mal calculada. Uma perda no estoque que ninguém percebeu. No fim do mês, a loja trabalhou muito, mas o resultado ficou magro.

Em loja de ferragens e ferramentas, isso fica ainda mais perigoso porque o mix é grande demais. Tem parafuso, bucha, lixa, broca, disco de corte, fechadura, dobradiça, ferramenta manual, ferramenta elétrica, EPI, cadeado, cola, silicone, corrente, roldana, trinco, abraçadeira e uma lista que parece não acabar nunca.

Tratar tudo isso com a mesma margem é confortável. Mas conforto, nesse caso, custa caro.

Alguns produtos são muito comparados pelo cliente. Outros são técnicos. Alguns giram todos os dias. Outros ficam meses na prateleira esperando a venda certa. Alguns atraem o cliente para a loja. Outros ajudam a compor o lucro.

Se a loja coloca a mesma regra para tudo, ela até simplifica o processo. Mas simplifica também o caminho para perder margem.

O custo real quase nunca é só o custo da nota

Um dos erros mais comuns na precificação é olhar apenas para o valor de compra do produto. O lojista vê o custo na nota, coloca uma margem e acredita que o preço está resolvido.

Só que o produto não apareceu sozinho na prateleira. Ele teve frete. Teve imposto. Teve custo financeiro. Teve equipe para receber, conferir, guardar, vender e entregar. Teve energia, aluguel, sistema, embalagem, taxa de cartão e, em alguns casos, perda.

Se tudo isso não entra na conta, alguém paga. E normalmente quem paga é a margem.

O que precisa entrar na conta Por que importa
Custo de compra É a base, mas não é o custo completo.
Frete Quando fica fora da conta, a margem fica artificial.
Impostos Produto com tributação diferente precisa de atenção diferente.
Taxas de cartão Venda parcelada ou no cartão não tem o mesmo peso da venda à vista.
Comissões Se existe comissão, ela precisa estar prevista no preço.
Perdas Quebra, avaria, furto e produto parado fazem parte da vida real.
Despesas da loja Aluguel, equipe, energia e estrutura precisam ser pagos pela operação.
Margem desejada É o que faz a empresa valer o esforço.

Preço sem custo real é uma conta incompleta

Preço calculado sem custo real é uma fotografia bonita com o caixa fora do enquadramento. Fica apresentável, mas não mostra a verdade.

Gestor analisando preços, margens e estoque em uma loja de ferragens e ferramentas
Precificar bem exige olhar para custo, margem, estoque e desconto com a mesma atenção.

Markup ajuda, mas não pode mandar sozinho

O markup é útil. Não tenho nada contra ele. Pelo contrário, quando bem usado, ajuda muito a organizar a formação de preço.

O problema é quando a loja pega um percentual padrão e aplica em tudo como se todos os produtos tivessem o mesmo comportamento. Não têm.

Uma furadeira não se comporta como uma bucha. Uma broca comum não se comporta como uma ferramenta técnica. Uma caixa de parafusos não se comporta como um produto de baixa procura, mas margem melhor. Cada grupo pede uma leitura.

Por isso, gosto mais da ideia de trabalhar por família de produto. Fica mais próximo da realidade da loja.

Família de produto Como olhar para o preço
Itens de alto giro Precisam de preço competitivo e revisão constante.
Itens técnicos Podem sustentar margem melhor quando há atendimento consultivo.
Miudezas Costumam aceitar margem maior, mas exigem cadastro bem feito.
Ferramentas de maior valor Pedem equilíbrio entre margem, negociação e percepção do cliente.
Produtos parados Precisam de análise para liberar caixa, não de esquecimento.

O markup é ferramenta. Não é dono da empresa. Quem decide precisa ser a gestão, com número na mão e bom senso na cabeça.

Curva ABC ajuda a saber onde mexer primeiro

Quando a loja tem muitos produtos, tentar revisar tudo do mesmo jeito vira uma tarefa pesada. Aí entra a Curva ABC.

Ela mostra quais itens têm maior impacto no faturamento e no resultado. E isso muda a prioridade da gestão.

Produto da curva A merece atenção frequente. Um erro pequeno nele pode virar um problema grande, porque ele vende muito ou representa uma parte importante do dinheiro que passa pela loja.

Produto da curva B precisa de revisão periódica. Não pode ser ignorado, mas também não precisa tomar todo o tempo do gestor.

Produto da curva C costuma ter menor peso no faturamento. Alguns podem trabalhar com margem melhor. Outros talvez estejam ocupando espaço e prendendo capital sem necessidade.

A Curva ABC ajuda a responder perguntas que todo lojista deveria fazer:

  • Quais produtos realmente sustentam meu faturamento?
  • Onde estou brigando por preço sem necessidade?
  • Onde estou deixando margem na mesa?
  • Quais itens estão parados há tempo demais?
  • Quais produtos merecem revisão semanal?

Sem essa visão, a loja pode gastar energia no produto errado. E energia de empresário já é um recurso escasso. Melhor não desperdiçar.

Desconto precisa ter regra. Senão vira vazamento.

Em loja de ferragens, desconto faz parte do jogo. O cliente pede. O vendedor negocia. O gerente avalia. Isso é normal.

O problema é quando o desconto deixa de ser estratégia e vira hábito.

Quando todo mundo pode dar desconto, em qualquer produto, para qualquer cliente, sem saber a margem mínima, a empresa perde controle. E o pior é que muitas vezes só percebe depois.

O desconto dado no balcão parece pequeno. Mas somado ao longo do mês, pode virar uma bela mordida no lucro.

Algumas regras simples já mudam bastante o cenário:

  • Definir margem mínima por grupo de produto.
  • Controlar quem pode autorizar desconto.
  • Criar tabelas de preço para perfis diferentes de cliente.
  • Separar preço de balcão, preço para obra, preço para revenda e condições especiais.
  • Acompanhar desconto por vendedor.
  • Medir margem por venda, não só faturamento.

Faturamento sem margem é vaidade. Aparece bonito no relatório, mas não paga boleto com dignidade.

Preço e estoque precisam conversar

Não dá para separar precificação de estoque. Um interfere no outro o tempo inteiro.

Se o produto encalha, o caixa fica preso. Se falta produto, a venda vai embora. Se a compra veio mais cara e o preço não foi atualizado, a margem cai. Se o estoque está errado, o preço pode até estar certo na teoria, mas a gestão está tomando decisão no escuro.

Em loja de ferragens e ferramentas, isso acontece muito porque o mix é amplo e o volume de itens pequenos é grande. Às vezes, o problema não está em um item caro. Está em dezenas de produtos pequenos com preço desatualizado, unidade errada, custo mal lançado ou desconto fora da regra.

O gestor precisa acompanhar alguns pontos com disciplina:

  • Custo médio dos produtos.
  • Último custo de compra.
  • Margem por produto e por família.
  • Giro de estoque.
  • Produtos sem venda recente.
  • Itens abaixo da margem mínima.
  • Produtos com preço antigo depois de nova compra.

Isso não deveria depender de memória. Memória é boa para lembrar aniversário de casamento. Para preço, estoque e margem, melhor usar sistema.

Concorrente serve como referência, não como volante

Claro que a loja precisa olhar o mercado. Ninguém vive em uma bolha. O cliente compara preço, pesquisa, pergunta, mostra orçamento no celular e às vezes chega no balcão já tentando jogar uma loja contra a outra.

Faz parte.

Mas copiar preço do concorrente sem conhecer a própria conta é perigoso. O concorrente pode ter comprado melhor. Pode estar queimando estoque. Pode estar com uma estrutura diferente. Pode estar fazendo uma ação pontual. Ou pode estar errado também.

E copiar erro dos outros continua sendo erro, só que terceirizado.

Antes de baixar preço, vale parar e pensar:

  • Esse produto é mesmo comparável?
  • O cliente decide só por preço nesse item?
  • Minha margem aguenta essa redução?
  • Existe produto complementar para recuperar margem?
  • Tenho estoque suficiente para sustentar esse preço?
  • Essa ação faz parte da estratégia ou é só reação ao medo?

Competir por preço pode ser necessário em alguns momentos. Mas viver só disso é cansativo e perigoso. Sempre vai aparecer alguém disposto a ganhar menos. A pergunta é se você quer entrar nessa fila.

Produto complementar também faz parte da precificação

Uma loja de ferragens não vende só item isolado. Ela vende solução.

Quem compra uma furadeira pode precisar de broca. Quem compra broca pode precisar de bucha e parafuso. Quem compra fechadura pode precisar de dobradiça, chave, parafuso e lubrificante. Quem compra disco de corte pode precisar de óculos de proteção, luva e máscara.

Isso importa para a precificação.

Nem todo produto precisa carregar a mesma margem. Alguns atraem o cliente. Outros completam a venda. Alguns têm preço muito comparado. Outros entram como conveniência e solução.

O vendedor bem orientado não empurra produto. Ele ajuda o cliente a não voltar para casa faltando metade do que precisava. Isso melhora a experiência, aumenta o ticket médio e protege a margem.

Essa visão fica muito mais forte quando a loja acompanha histórico de vendas, produtos comprados em conjunto e desempenho por família. Aí a decisão deixa de ser no achismo e passa a ter base.

Promoção precisa ter motivo e data para acabar

Promoção pode ser ótima. Mas promoção sem controle é só desconto fantasiado.

Em loja de ferragens e ferramentas, promoção pode ajudar a girar estoque parado, atrair cliente, abrir espaço, vender kits e melhorar o caixa. Mas precisa ter regra.

Antes de colocar um produto em promoção, a loja deveria responder três perguntas:

  • Por que esse produto está em promoção?
  • Qual margem mínima eu ainda preciso preservar?
  • Quando essa promoção termina?

Sem isso, o preço promocional vira preço normal. Depois, quando a loja tenta voltar ao preço correto, o cliente acha caro. Na verdade, ele só se acostumou com uma condição que não deveria durar para sempre.

Promoção boa resolve um problema. Promoção ruim cria outro.

O ERP entra onde a planilha começa a falhar

Planilha ajuda em muita coisa. Mas chega uma hora em que ela começa a virar um remendo em cima do outro. Principalmente quando a loja tem muitos produtos, várias tabelas de preço, descontos diferentes, compras frequentes e equipe vendendo no balcão.

Um ERP para loja de ferragens ajuda justamente porque centraliza a informação. Compra, estoque, venda, preço, financeiro e fiscal passam a conversar dentro da mesma base.

Na prática, isso ajuda a loja a:

  • Atualizar custos a partir das compras.
  • Controlar múltiplas tabelas de preço.
  • Definir permissões para desconto.
  • Acompanhar margem por produto, grupo e venda.
  • Identificar itens abaixo da margem mínima.
  • Controlar promoções com início e fim.
  • Analisar estoque parado antes de comprar mais.
  • Reduzir erros de cadastro que afetam preço.
  • Tomar decisão com número, não apenas com sensação.

No ERP Tutom, da CB Sistemas, esse tipo de controle ajuda o gestor a enxergar melhor a operação. A ideia não é encher a empresa de relatório bonito e inútil. É mostrar o que precisa ser visto para decidir melhor.

Porque no fim das contas, gestão boa não é a que tem mais tela. É a que ajuda o empresário a errar menos.

Revisar preço precisa virar rotina

Precificação não é algo para fazer uma vez por ano, em uma tarde de inspiração. Preço muda porque custo muda, fornecedor muda, imposto muda, concorrência muda, estoque muda e o comportamento do cliente também muda.

A loja precisa criar uma rotina simples de revisão.

Frequência O que revisar
Semanal Produtos de alto giro, itens com custo alterado e margens críticas.
Mensal Famílias de produtos, estoque parado e Curva ABC.
Trimestral Tabelas de preço, política de desconto e margem por vendedor.
Semestral Estratégia comercial, mix de produtos e posicionamento da loja.

Não precisa transformar isso em uma operação complexa. Precisa ter constância. Gestão, muitas vezes, é isso: fazer o básico bem feito, mesmo quando ninguém está aplaudindo.

Conclusão

Entender como precificar produtos em loja de ferragens é uma das tarefas mais importantes para manter a empresa saudável.

Preço errado compromete margem, caixa, estoque, compra e até o relacionamento com o cliente. A loja pode vender muito e ainda assim ter dificuldade financeira, justamente porque não está olhando para o resultado por trás da venda.

A melhor precificação não nasce de uma fórmula mágica. Nasce de custo correto, margem planejada, estoque controlado, desconto com regra, Curva ABC, revisão constante e informação confiável.

Em um segmento com tanto item, tanta variação de custo e tanta negociação no balcão, depender apenas de memória ou planilha fica arriscado. Um sistema para loja de ferramentas e ferragens ajuda o gestor a organizar essas informações e tomar decisões melhores.

No fim, vender é importante. Mas vender com margem é o que mantém a empresa em pé.

Quer melhorar a precificação da sua loja?

Se a sua loja de ferragens e ferramentas precisa controlar melhor preço, margem, estoque, compras e descontos, vale conhecer o ERP Tutom da CB Sistemas.

O sistema ajuda sua empresa a ter mais clareza sobre os números e mais segurança para decidir. Não resolve gestão por mágica, porque mágica boa mesmo só no palco. Mas coloca informação confiável na mão de quem precisa decidir todos os dias.

Conheça o ERP Tutom e veja como a CB Sistemas pode ajudar sua loja a vender melhor, controlar melhor e proteger sua margem.

Sobre o autor

Paulo Paganelli é CEO da CB Sistemas, empresa de tecnologia com mais de 30 anos de experiência no desenvolvimento de soluções de gestão empresarial para comércio, indústria e distribuição. Atua próximo de empresários que buscam mais controle, eficiência e resultado na gestão de seus negócios.

Perguntas frequentes sobre precificação em loja de ferragens

Qual é a melhor forma de precificar produtos em loja de ferragens?

A melhor forma é considerar custo real, impostos, despesas, margem desejada, giro de estoque, concorrência e valor percebido pelo cliente. Em uma loja de ferragens, o ideal é trabalhar por famílias de produtos, porque cada grupo tem comportamento diferente.

Loja de ferragens deve usar markup?

Sim. O markup ajuda a organizar a formação de preço. Mas ele não deve ser aplicado de forma igual em todos os produtos. Itens de alto giro, produtos técnicos, ferramentas de maior valor e miudezas precisam de estratégias diferentes.

Como evitar vender com margem baixa?

É importante manter custos atualizados, controlar descontos, definir margem mínima por grupo de produto e acompanhar relatórios de margem. Sem isso, a loja pode vender bastante e ainda assim perder resultado.

Produtos de alto giro devem ter margem menor?

Nem sempre. Muitos produtos de alto giro têm mais comparação de preço e exigem atenção maior. Mas a decisão precisa considerar custo, concorrência, estoque, margem e estratégia comercial da loja.

Um ERP ajuda na precificação?

Ajuda bastante. Um ERP centraliza compras, estoque, vendas, tabelas de preço, permissões de desconto e relatórios de margem. Isso reduz decisões no achismo e dá mais segurança para o gestor.

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